Esta 5a edição, nómada, de Corps de Textes atravessa dois tipos de fronteiras : uma géopolítica, fazendo migrar textos de Rouen até ao Porto e até Sofia, e a segunda, mais filosófica, pela transgressão, a de dizer, de dizer tudo, sem tabu, mesmo as violações de tabus [1]. Foram reunidos sob esta perspectiva, Ronan Cheneau e Patricia Allio, Christophe Pellet e Emmanuel Darley, todos sensíveis, frequentemente com um humor negro, a esta obsessão contemporânea de destruição dos tabus, que os nega transformando-os sem vergonha em títulos de jornal, como crónicas macabras.
Mardi à Monoprix (Emmanuel Darley), com o assassinato de uma rapariga, na verdade um filho transexual que se ocupa de seu pai todas as terças-feiras, é uma narrativa com uma vida obscura e perversa como pano de fundo ; a objectividade narrativa, maníaca, oposta daquela que é falsificadora, própria ás notícias e ou às autobiogrias dos colunáveis, fragmenta a realidade ao ponto de perturbar todo o sentido da mesma. O sórdido é especialmente apimentado em Eric Von Stroheim (Christophe Pellet) : uma mulher e dois homens de entre os quais um actor porno negociam entre eles os seus corpos ; esta filosofia sem preliminares, expõe seres, ainda sexuados é certo, mas por quanto tempo, que procuram refugiar-se em sentimentos lúcidos e responsáveis. Christophe Lemaître deseja representar esta negação do subjectivo ousando representar a ausência dos corpos (dos actores e dos espectadores).
Cannibales de Ronan Cheneau reflecte uma vida como que exangue de ter sido já totalmente dita : um casal que não sabe o que fazer do amor, e que, nas profundezas de um apartamento mobilado tipo Ikea, se imola. Como se os corpos actuais, para se materializarem nem que seja pour um instante, estivessem prontos a pulverizar as suas fronteiras. Será que aindam restam limites ? Tabus ? O que resta ainda deste segredo do sentido do sagrado [2] que contém a poesia ? Em todo o caso, estes textos são vigorosas reacções poéticas de sobrevivênvia.










