Enfant terrible de la scène portugaise, Mickael De Oliveira ne laisse pas indifférent. En mars 2007, à 23 ans, il vient de recevoir le premier prix de dramaturgie du concours du Maria Matos Teatro Municipal, à Lisbonne. Le texte primé par le jury, est publié au Portugal. son théâtre provoque, dérange, mais derrière les mots, laisse toute sa place à la réflexion, laisse trace, creuse les tabous d’un Portugal d’aujourd’hui, où il « se sent bien ».
En attendant de le rencontrer à Rouen et à Liège où il dirigera deux sessions de travail avec de jeunes comédiens, il nous livre quelques éléments biographiques.
Quem sou eu ? Que pergunta trágica, que se roça ao patético de serie B. Haverá interesse em saber que sou ? Não sei, mas pelo menos este texto serve de chave de apresentação que diz claramente “olá, estou aqui, sou um tipo porreiro”. Escrever sobre si cheira sempre a poetas foleiros introspectivos que acham que tiveram uma vida sofrida e que a transpuseram para os seus belos versos escritos a sangue. Ou então poderá cheirar também a concorrentes de reality show que passam as suas tardes a ser sinceramente “eles próprios”. No entanto, é normal quererem saber o mínimo, por isso aí vai alguma informação íntima.
Nasci em 1984 em França, em Senlis, e cresci com os meus pais, oriundos da emigração portuguesa da geração de 70, numa pequena vila a uma hora de Paris. Em França, a minha escolaridade não foi nada brilhante, preferindo investir o meu tempo a escrever uns poemas de amor, a jogar futebol, e a planejar delírios com os meus amigos. A minha infância foi doce, a minha adolescência terrível, tendo como sintoma a escrita frenética de poemas de amor mórbidos por me apaixonar sempre por todas as raparigas minimamente bonitas. Eu sei, numa época como esta não há verdadeiramente critérios de selecção, e a mente cheia de hormonas falseia sempre a percepção. Aos 13 anos os meus pais disseram-me : “Mickael, levanta-te e anda, quando acabares a escola básica, vais para Portugal juntares-te à tua irmã que já lá está há um bom bocado a estudar”. Enfim, aos 14 anos fui expedido para Portugal. Apaguei então um passado adolescentemente complicado, e instalei-me em Portugal, convivendo com uma irmã que pouco via (vidas diferentes). Apaguei a língua e as vivências francesas, e um pouco de tudo para reconstruir uma nova vida, com bases novas sobre as quais pudesse apreender uma nova cultura, novas pessoas, e sobretudo uma nova língua que eu pudesse dominar perfeita e plasticamente (ao contrário do francês). Vivi em Aveiro e em Viseu (onde acabei o meu secundário), depois passei a viver em Coimbra onde cursei Estudos Artísticos (variante teatro) numa velha Universidade, e agora encontro-me na capital onde me estou a doutorar na Universidade de Lisboa, e onde me estou a sentir terrivelmente bem. Entretanto aconteceram coisas boas, conheci grandes amigos com quem hoje trabalho, por volta dos 18 anos conheci a mulher da minha vida (pois é, não sou gay, mas talvez o facto de ser artista me dê a volta à cabeça) e conheci o teatro e a sua escrita. Comecei a elaborar as minhas peças e a encená-las em Coimbra, cidade que, embora decadente, me proporcionou a construção dos meus primeiros espectáculos com condições técnicas, estéticas e intelectuais excepcionais.
Acho que este texto já vai comprido de mais, por isso, acabo dizendo que não gosto de gatos, fujo das comezainas eruditas, odeio champagne, vinho e culinária esquisita, preferindo um bom bife com batatas fritas e coca-cola, acompanhados com a leitura da Bíblia, da Ilíade ou da Odisseia (depende dos dias) e com a televisão em barulho de fundo ligada num programa bem ruidoso, cumprindo assim a minha atitude pós-moderna.
P.-S.
du 11 au 15 décembre, Rouen work-shop avec les comédiens de la classe professionnelle du CNR
15 décembre, Rouen, présentation publiques et rencontre avec Mickael De Oliveira
8 mars, Liège, lecture.










